Arquivos diarios: 15/06/2018

NIETZSCHE (ASSÍM FALAVA ZARATUSTRA) (17)

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               No início de 1883, e como um autêntico iluminado, Nietzsche escreve em Rapallo, e em apenas dez días, o prólogo e o primeiro libro de Zaratustra.  O segundo e o terceiro libro suxirám desse mesmo estádo visionário e escrevê-los-á também em raxádas de dez días, no verán e no inverno seguintes.  A obra é unha fábula que tem como protagonista Zaratustra, um profecta que oscila entre a solidón e o contácto com todo o tipo de personaxéns simbólicas, tanto animais (águias, cobras, burros, macacos…) como humanas (discípulos, bailarinas, mendigos, funambulistas…).  Durante as suas andanças, o profecta pronuncía “unha espécie estranha de ‘sermóns morais’ ” em que irán aparecendo ideias que, como o eterno retorno, a vontade de poder ou o super-homem, se identificarán para sempre com o núcleo da filosofía nietzschiana.  O filósofo está convencido de ter escrito a seu melhor libro, pelo seu conteúdo e pela sua forma.  Com o seu estilo poético e alegórico,  Nietzsche pretende transmitir um tipo de conhecimento que non necessita de argumentaçóns.  Ao substituir os conceitos por imaxens, tenta recriar no leitor a sua própria experiência de inspiraçón ao conceber a obra.  Neste sentido, Assím Falava Zaratustra é unha experiência única de ruptura com o pensamento racional (que poderíamos definir como discursivo, lóxico e dialéctico)e que, desde a obra de Sócrates, monopolizou a filosofía occidental.  Nietzsche acredita ter chegado ao seu apoxeu como filósofo e sente-se “o homem mais independente da Europa”.  Alberga esperanças de que, graças ao seu estilo, a valiosa menssaxém de Zaratustra possa chegar ao grande público.  (Trinta anos depois, o governo alemán mandará imprimir 150 000 exemplares do libro para os soldados que lutam na Primeira Guerra Mundial.) No entanto, a obra passa despercebida.  A eufória que sente ao comprovar a maturidade do seu pensamento, contrásta com a sua situaçón real: passa horas a tiritar de frío num quarto diminuto e, vendo-se ao espelho, exclama: “Amigo Nietzsche, agora estás totalmente sozinho!”

toni llácer