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Arquivos mensuais: Xuño 2018
POBRES E BAGABUNDOS
De pequeno eu quería ser pobre, modesta aspiraçón que protexe da frustraçón e fracasos. Pobre de pedir, de caminho, de fardel e cachaba por montes e pradeiras. Pobre de tender-se á sombra dum salgueiro e refrescar-se num regato; pobre de mirar os labradores deslomar-se sobre o arádo no Outono ou agavilhando baixo o sol no vrán. Pobre de non facer nada, de non ter obrígas, nem próximos nem casa, nem dívidas nem aforros, nem senhores. Pobre de tumbar-se á bartola de cara ó céu, mentras os demais se afánan angustiosamente sobre os negócios deste mundo. Pobre sem dinheiro. O de impecúne, conseguim-no mais ou menos; o da liberdade muito pouco, quase nada. Os pobres, ademais, formabam parte da paisaxem do meu povo e de todos os povoádos circundantes. Eran como peregrinos do Caminho de Santiago, em todas as épocas do ano, fixéra frío ou calor, nevara ou caí-se fogo derretido. Había o pobre de Paredes, o pobre de Ampudia, o pobre de Carrión, pobres com denominaçón de orixem que eran como marquesados ou condados da pobreza. Estabam muito organizados, tinham os seus días fixos de ronda e o seu calendário. E sabíamos que tal día da semana ou do mes, iban chamar á porta toc, toc, toc; unha limosna, por amor de Deus. Dinheiro, muito pouco. Unha “perra-chica”, cinco centávos; ou ao sumo, unha “perra-gorda”, déz centávos. O mais frequente, cousas de comer: chourizos, toucinho, algúm ósso sobrante para um cozido. E nas casas mais aváras um mendrugo de pán, que o pobre bicaba com santa unçón e metía reverencialmente no zurrón. Levava um fardelinho para cada cousa, debía de ser por medo a que se misturaram os sabores, os do toucinho, com os do chourizo, os do chourizo com os dos óssos, e assím, que os pobres tenhem o paladar muito fino e exquisito é cousa sabída. Algúns davam-lhe ó sopro, ou sexa á botelha e, em véz dunha limosna por amor de Deus, pedíam um copo de vinho; como o poéta célebre, o bom cura Gonzalo de Berceo, refén da virxém e forxador do primitívo castelán, que em pago dos seus versos só pedía “um copo de bom vinho”. Había um que lhe chamabam o Medalhas, que estava sempre atiborrado de vinho. Com frequência andava a tropezóns e traspés. Quando escuitába as malévolas risadas que se burlában da sua caída revolvía-se iracunso: “Se me caín que me caía, que eu bem dereito iba”. Memorável filosofía aquéla, lóxica que desvinculaba os efeitos das causas e ós pequenos nos deixaba perplêxos. Vía-mos os pobres tumbados á sombra, ou sentádos tomando um refrixério. Mentras os homes e as mulheres do povo se deslomabam por semeádos e rastroxéiras. E os pobres, nos parecíam os reis da criaçón: uns verdadeiros maraxás. Chegada a noite, sempre encontrabam um palheiro aberto, unha eira, ou unha morea de espígas em pleno campo, dependendo do tempo e da estaçón, onde dormir a perna solta. O que digo: ¡¡como uns reis!!
javier villán
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DERIVA HISTÓRICA (REBORDINHOS Nº 2)
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XACIMENTO ARQUEOLÓXICO GA36042012
ASENTAMENTO Ó AR LIBRE REBORDINHOS Nº2
Este xacimento é um asentamento prehistórico ó ar libre, que está na rechán média da ladeira leste dunha altichaira, e para non ser menos que os outros, tamém el foi cortado por pistas florestais. Non se sabe a sua adscripçón cultural, xá que os fragmentos cerámicos, tanto os de paredes finas como grossas, e as lascas de quarcita non permitem dactálos. As cerámicas son de aspecto prehistórico, mas sem bordes nem decoraçóns. Uns cinquenta metros, na direcçón do Côto da Pedreira, tinha este povoádo o seu manantial d’áuga.
a irmandade circular
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LITERATURA (BALZAC)
HONORÉ DE BALZAC
Ó escreber a “Comêdia Humana”, este prodixioso ciclo narrativo cuxa riqueza e profundidade non foron igualadas contemporaneamente, Honoré de Balzac ampliou os limítes do românce até fazer désta o meio de expressón privilexiada da moderna literatura. Ó mesmo tempo, criou um realismo de novo cunho que lhe permitíu descreber as mutaçóns experimentadas pola sociedade francêsa despois do império napoleónico. Mas, mais alá déste contexto histórico e literário, Balzac, conserva a perene actualidade que é própria de todos os grandes escritores universais. Ó final de “Papá Goriot”, erguido no alto do cemitério de Pére Lachaise. o xovém Rastignac avanza uns passos e contempla París “tortuosamente extendida ó largo das duas marxéns do Sena, no que comezabam a brillar as luzes. Seus olhos quedaron prendidos, quase ávidamente na columna da praza Vendôme e na cúpula dos inválidos, onde vivía aquel mundo elegante no que había querido penetrar. Lanzou sobre aquela zumbeante colmeia unha mirada que parecía extrair o mel por antecipado e pronunciou éstas grandiosas palabras: “Agora nos veremos as caras!” Ésta podería ser a escena emblemática, o arrogante mascarón de prôa que embiste e rasga as néboas do tempo e os prexuízos que flotan sobre a vida e a obra de Honoré de Balzac. Em românces anteriores, Rastignac, era um obscuro personaxem de segunda ordem, um comparsa (aparece por vez primeira em 1831, em “A Pel de Zapa”) e depois o veremos muitas outras vezes passeando os seus sonhos e ambiçóns por toda a “Comédia Humana”, o grande retrato da “França da Restauraçón” monárquica que seguíu ó Império de Napoleón. Deixando de lado ó próprio Honoré, que probavelmente supera em ambiçón e desmessura a todas as suas ciaturas literárias. Rastignac, é a personaxe mais balzaquiana de toda a basta obra do escritor. Filho espiritual de Julien Sorel de “Roxo e Negro”, este xovém sem meios de fortuna, atractivo e sonhador que, cegado pelo fulgor do éxito e do dinheiro, desde o alto de “Père Lachaise” desafía a cidade de París e convoca a glória futura non é outro que o “alter ego” de Balzac, cuxo afán de triunfo non têm limítes e que non parará de escreber, correr em pós de quimeras e tantear negócios derrochando vitalidade até ser admitido nos salóns mais distinguidos de París e viver apaixonados românces com as damas mais fermosas e intelixentes daquéla sociedade deslumbrante que aínda estava demasiádo perto do império, apesar de Waterloo. E é désta maneira, no meio désta febríl actividade social e sonhadora que Balzac concebe o vasto proxecto da “Comêdia Humana”, sentado na mesa de trabalho do seu estudo parisiense, ás altas horas da noite e em batín, atiborrado de café e de visóns, e rodeado de cadernos enfarruscados. Había que conquistar París e o triunfo social, da mesma maneira que Napoleón Bonaparte tinha conquistado Europa.
rba editores, s. a. -barcelona
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (51)
O Largo das Gralhas. O 22 de Decembro de 1914, fún trabalhar pró Largo das Gralhas (padaría), para andar nunha venda, no lugar do António do… uns días, enquanto el non se punha bem de unha perna; tivem alá mil sonhos, ó princípio muito discretos, logo pró final algo confusos. O Spírito… xamais me tinha molestado tanto como no Largo das Gralhas, eu chegára á decadência completa, as paixóns, a miséria física, a desgráça e a mala sorte, tinha tirado conmigo ás sombras da morte, quase á terra do esquecimento, e poucos días despois ouvín criticarme, sobre aquílo que um home busca e non quixéra encontrar. O día 24 de Decembro de 1914, sonhei que estaba na terra (dentro do eido), vía xente, alí vín o meu corpo vestido com unhas calzas de ganga, com um vivo pensamento que non tinha dinheiro, que estaba na puta miséria. O 7 de Xaneiro de 1915, sobre a manhan, me chamában para o serviço militar, e eu protestába porque motivo me tinham chamado a mím, diante de mím iba Isolina do Caetano, parecendo como que fuxía, mas presentou-se-me mais pequena do que na realidade era, despois encontrei unha garíta, que pensei ser a minha, as demais voltas esqueceron-se-me.
manuel calviño souto
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VATTIMO (ÜBERMENSCH)
Se Deus morreu, segue o “Relatório Nietzsche (Zaratustra)” aparece o “Übermensch”, do qual son possíveis duas interpretaçóns. Segundo a primeira, aquele que ocupa o lugar do “Deus Todo-Poderoso” é um “Super-homem”, o qual, unha vez desaparecidos histórica e sociolóxicamente os valores do cristianismo, agora que tudo está permitido e se torna irrisório non só qualquer castigo do além-túmulo, como carecer da força e da coraxém suficientes para tomar o poder, xá que é aos poderosos a quem a sorte sorri, sente-se libre e apréssa-se a dictar por sí próprio as “léis” segundo sua conveniência e em virtude da sua força, dispon-se também a dictar de sua libre vontade arbitrária e criadora o que está bem e o que está mal (um novo sofista: um terrível Trasímaco, ou um novo Marquês de Sade, a quem xá se opuseram Sócrates-Platón e Kant. Trata-se de um homem (ou mulher) todo-poderoso sêm limítes, um humano emancipado, único dono de tudo o que quiser a seu “bel-prazer”, e que luta por se antepor como amo e senhor á “Ordem”, ao “Tempo”, á “Linguaxem” e ao “Mundo”. Infelizmente, conhecemos muitos “senhores brutais” assím, inclusive entre algúns “administradores” do legado de Nietzsche. Non é o caso de Vattimo, que (nos libros referidos) extrái precisamente a outra leitura (nisto igual ao Foucault de As Palavras e as Coisas): entender o “Übermensch” como “trans-homem”, como “o homem de bom temperamento”, o que sabe contraefectuar o acontecimento ou fazer da necessidade virtude (por aquí será seguido também pelo Nietzsche de Gilles Deleuze), e que sabe extrair as paixóns alegres da condiçón tráxica do mortal. O que, por “cortesía” e xenerosidade para com os outros e para com o dom gratuito da vida e da existência tráxica, poderá cultivar as “Paixóns alegres” de Espinosa (que Nietzsche lía em Sils-Maria (Suiça) quando se lhe “revelou” o pensamento do “eterno retorno”. segundo relata “dramaticamente” o filósofo; as alegres virtudes e paixóns do “Gaio-Saber”, ou da “Gaia Ciência”, do próprio Nietzsche. Tal é a mensaxém de “Aurora”, de “Humano Demasiado Humano”, ou mesmo de “A Gaia Ciência” e, em xeral, do que Vattimo chama “o Nietzsche iluminista”, certamente em consonância com toda a obra nietzschiana: prescindir de um “Deus-Idolo Asegurador” (tecnicamente utilizado pelo homem como um instrumento ou “farmaçón”, unha droga de salvaçón) e abrir-se a renomear o sagrado (indisponível) e o divino de Deus, non como se fosse unha substância autosuficiente (um suxeito em sí e para sí; metafísico, que non precisa de nada nem ninguém), mas antes encarregando-nos de formar como o divino “só” acontece na palavra, na oraçón e na linguaxem dos seus outros: os mortais, os que non son Deus (recorde-se que esse é o título da autobiografía – até 2006 – de Vattimo); esses “seres de um día”, que talvez por amor ao outro tensional constituinte, por amor á diferença e alteridade que de nós necessita; por “amor a Deus”, se simultaneamente se desse a assumpçón da morte (de certa forma impossíbel), e com isso non se exinguisse o desexo de eternidade (a que pertence todo o prazer e todo o desexo de retorno), enton agora, libres do deus todo-poderoso, inventado pelos homens do poder, poderá acontecer o melhor do possível (para o divino e para nós) que oferecêssemos ao divino precisamente o que non temos, o que non podemos ser: o eterno, a linguaxem-lugar “do cruzamento” onde pode realmente dar-se o acontecer (provavelmente descontínuo) da alteridade da sua diferença, como contiuidade histórica, embora cada um de nós tenha de desaparecer. Assím o quería o poeta da poesía, F. Hölderlin, e assím o quererá e cantará a profunda piedade do segundo Heidegger: assím o assinála a obra-príma de Nietzsche, o seu “Zaratustra”, e assím o lê Vattimo que, sem dúvida, opta e toma partido non pela vontade de força, mas pela “inversón dos valores”; a transvaloraçón, que abraza a razón dos “Débole”.
teresa oñate e brais g. arribas
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ASTRONOMÍA (EM AROUCA, LÁ DEBAIXO DO MAR)
Em Arouca, lá debaixo do mar. Lá, na frecha da Missarela, e na Cascada dos Ameiros. Tan escondidas no meio das louseiras das ardósias, nos telhados de pizarra das casas de pedra, aparecem fossilizadas, vindas doutros mundos passados xá, uns seres extranhos chamados “Trilobites”, que tenhém três lóbulos lombáres, e por isso mesmo se chaman assí. Semelhan talmente, baratas xigantes. Som um grupo de artrópodos fossilizados, que viveron durante o Paleozoico, parece ser que apareceron fái 542 millóns de anos, durante o período Câmbrico, e están agora petrificadas neste mar de ardósia. Os mineiros, ó abrir as lousas, deparabam-se com éstas criaturas inquietantes, e em vez de rompélas em mil anácos (como farían na minha terra), as coleccionábam nas pedreiras, como seres reverenciais do tempo do grande “Dilúvio Universal”. O que parece certo é, que éstas Trilobites, lograrón resistir duas extinçóns massivas da vida no planeta Terra, mas á terceira extinçón, non puideron sobreviver, desaparecendo quase definitivamente (pois parece que aínda quedaron por aí algúns parentes). Ésta terceira catástrofe, que debeu abalar os fundos marinhos, e os fixo emerxer á superfície do mundo, logrou chegar até ás canteiras de Arouca, demonstrando que fái mais de 500 milhóns de anos, as Trilobites eram tan comúns e diversas, como as lagostas (os crustáceos actuais, seus primos) nos restaurantes de Cuba. Pois, haber-las, hai-las, mas tan grandes como as de Arouca, em parte algunha. Se por acáso da fortuna se perder, e passar por éste lugar, non deixe de visitar o museo das ardósias, e ver algo, que o fará cabilar largamente sobre os mundos perdidos. (Também os poderá ver em Lisboa, no Instituto Superior Técnico), mas, xá de maneira mais carpeto-vetónica.
léria cultural
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NIETZSCHE (PARA ALÉM DO BEM E DO MAL)
Em 1885, escreve unha quarta parte para Zaratustra. Desencantado com a falta de leitores, Nietzsche decide publicar o libro nunha ediçón a seu cargo, de quarenta exemplares, dos quais acaba por enviar apenas meia dúzia ao seu círculo mais íntimo. Também nesse ano, entre gráves problemas oculares, Nietzsche escreve – ou, melhor, dicta “Para Além do bem e do mal. Prelúdio a unha Filosofía do Futuro”, obra em que regressa ao estílo aforístico, depois da experiência poético-narrativa de Zaratustra. Désta vez parece decidido a encontrar o seu público: em 1886, paga do seu bolso unha ediçón de 600 exemplares e envía um bom número deles a revistas e xornais, com a esperança de que se façam eco da sua obra. Perante o silêncio xeral, sente-se eufórico quando, por fím, aparece unha sinopse do libro num diário suíço, em que se comparam as suas ideias com unha invençón da época: a dinamite. A vontade de fazer-se entender também o leva, nesse ano, a dar a conhecer, de novo, a sua obra. Após meses de negociaçóns e problemas de direitos editoriais, consegue que se reedictem todos os libros publicados até à data, e isso quando a grande maioría dos exemplares das ediçóns orixinais aínda está nos armazéns. Nietzsche incorpora novos materiais e escreve prólogos para os seus antigos libros (sem os reler!), tentando dar, retrospectivamente, certa continuidade e coherência ás suas ideias. Também trabalha intensamente num libro que concebe como o culminar do seu pensamento: “A Vontade de Poder. Ensaio de unha Transmutaçón dos Valores”. Inicialmente proxecta-se como unha obra magna em quatro volumes, mas anos depois abandona o plano, que acaba transformado num conxunto disperso de uns quatrocentos apontamentos. Apesar disso, depois de falecer, a sua irmán Elisabeth decide editar a obra com a axuda de Peter Gast. Com essa finalidade, ordenará, agregará e suprimirá materiais inéditos com um critério mais do que discutível, motivo pelo qual a ediçón póstuma de “A Vontade de Poder” xerou polémica durante décadas.
toni llácer
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O QUARTO DA LENHA
O QUARTO DA LENHA
As classes terminabam pronto, ás cinco ou algo así. Nada mais entrar á escola, despois de comer, estábamos á espera que a senhora mêstra nos desse solta. Rezábamos um pai-nosso e unha avé-maría, cantábamos algunha cançón patriótica, quase sempre “Montanhas Nevadas”, “Bandeiras ó Vento”, ou “De Isabel e Fernando, o espírito impera, morreremos bicando a sagrada bandeira”; e saía-mos de estampida, com o cabáz na mán e na boca a despedida á senhora mêstra, que era um “usted lo pase bien”. A senhora professora era inflexíbel, aínda que non era mala. Mais bem era muito boa, mas como se che esquecera o de “usted lo pase bien”, caía-che polo menos unha hora de encerro. Os encerros non eran mala cousa, sempre que quedáras acompanhado; mas isso acurría quase nunca, pois quedar-se encerrado era um castigo, e se quedabám dous ou mais, xa non era um castigo, senón um cachondeo. O pior dos encerros era que se o sabían na casa, alí castigabam-te outra vez. O encerro podía ser na própria escola ou no quarto do carbón, que era onde se guardava a lenha e as pedras de carbón, como o seu nome indica, para acender a estufa no inverno. E podía ser por algunha travessura menor ou por non saber a liçón do día. A senhora mêstra batía pouco e era mais partidária da privaçón da liberdade, que do castígo corporal. Deixaba os reglázos nas unhas, ou na palma da mán, para casos bastânte gráves de indisciplína, de burrés extremada ou de picardía, por ter-lhe feito unha xudiáda a algunha nena; cochinadas; non! déstas facíamos poucas, e se algunha vez as facíamos calábamos como mortos; elas e nós, polo que puidera passar. Logo, decían que em Espanha non había racísmo. E o dos xudíos, ¿quê? Facías qualquer zacanada a alguém… pois era unha xudiáda; alguém quería insultar a outro, por unha cousa de nada e chamaba-lhe perro xudío. Así que, o de xudiáda non é meu, que o aprendín fái muitos anos, alá nunha aldeia de Castela, que eram quatro casas de adobe de mala morte. O encerro podía durar até duas ou três horas. Ou sexa, que perdías a merenda e os xogos de despois da merenda. E encima, como na casa sempre había algo que facer ou que axudar, xa reenganchabas. A própria professora te prendía, na escola ou no quarto escuro. E, se estáva de boa disposiçón non trancava a porta e decía, quando aprendas a liçón avisa, que cha venho tomar. Isso, se, o encerro fora de escola; se fora de quarto de lenha, alí apodrecías até ás tantas. Xá a tua nái sabía que foras castigado, que Paquinho quedára encerrado. E o mais seguro era que quedaras sem ceia. Sem merenda e sem ceiar. E sem xogos. Ou sexa, que eu prefería o reglázo nas unhas, ou uns bons vergalhazos: salvo aquéla vez que non recordo que tinha feito mal, mas a senhora mêstra, mandou-me cortar unha vara flexíbel e resistente que lhe servíra para administrar castígo; naturalmente eu sabía que a iba provar em mím. Mas como non era tonto, cortéi-a meio seca e ós primeiros bergalhazos rompeu-se. Entón, mandou outro, que trouxo unha forte e flexíbel que parecía um látigo e, naturalmente probou-a nel. Logo, chamou-me a mím e continuou facendo probas; “para que te enteres, do que há que cortar quando cho mando”. Mas non era normal que dona Glória, nos sacudíra as badanas; ou sexa, que aquéla tarde, algo gordo debía eu ter feito. A escola do meu lugar para aqueles tempos estava muito avanzada; todos xuntos, nenos e nenas sem distinçón de sexos; aínda que, isso sí, em bancos separados. Aquílo, mais que progresso, debía ser necessidade. Para duas ou três docenas de nenos e nenas, non era cousa de ter duas escolas, um mêstre e unha mêstra. O que non sei é por quê essa tendência de que nas aldeias houbera mais mêstras do que mêstres. Ó melhor é que tinha começado a liberaçón da mulher e non nos tinhamos dado conta.
javier villán e david ouro
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QUE NADA SE SABE (25)
Mas concedámos que as cousas sexam finitas em número. Non por isso saberás mais, pois nem sequer teis conhecimento do primeiro princípio e o mais necessário de todos; consequentemente, tampouco conhecerás os demais, que de el se derivan. Logo, nada sabemos! Por outra parte, entre as cousas há unhas que simplesmente son por sí, em virtude sua, em sí, mediante sí e para sí, tal como (permita-se-nos falar désta maneira), os filósofos consideran como causa primeira, a Deus. Todas as demais diferentes del, non son para sí, nem em virtude de sí, nem em sí, nem mediante sí, nem para sí solas ou em ordem a sí mesmas, senón que son unhas por outras, unhas em virtude de outras, unhas em outras, unhas para outras. E é necessário conhecer ambos ordens de cousas. Mas a Deus ¿quem o conhece perfeitamente? “Non me verá o home e seguirá vivendo”. Por isso, só a Moisés lhe foi permitido vê-lo, mediante o que de el se segue, isto é, polas suas obras. De aí, que o outro dixéra: “O invissíbel de Deus, vê-se entendendo-o atravéz do criádo”. Para saber algo perfeitamente é necessário conhecer também aquilo, a saber, que cousas causan a que outras, e de que maneira. Mas há tal concatenaçón entre todas as cousas que nenhuma está ociosa, senón que, mais bem, se opón ou favorece a outra; mais aínda, a mesma cousa está destinada non só a perxudicar a muitas, senón também a axudar a muitas outras. De aí se segue que, para o perfeito conhecimento de unha só, há que conhece-las a todas. Mas ¿Quem é capaz disso? Nunca vín que ninguém o fora! Por ésta mesma razón, unhas ciências axudan a outras, e unha contribuie ó conhecimento da outra. Incluso, e isto é mais importante, unha só non pode ser conhecida perfeitamente sem as outras, pelo que unhas se vêm obrigadas a sofrer câmbios por influência das outras, pois os seus obxectos están de tal maneira relacionados entre sí que dependem mutuamente e son mútua causa um do outro. De onde se confirma novamente que, ¡¡nada se sabe!! ¿Porque, quém conhece todas as ciências?
francisco sánchez
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LITERATURA (SOROR MARIANA DE ALCOFORADO)
Tal como afortunadamente afirmou, José de Almada Negreiros, em momentos de elevada inspiraçón, a nossa Mariana, non é unha merdariana de Alcoforado qualquer, como a que nos presenta Júlio Dantas (¡¡Morra o Dantas. Morra!! ¡¡Plín!!). Apesar de ter empalmado durante séculos, um mar sem fundo de mentes calenturentas, com as suas cartas de amor a um oficial françês. A nossa Mariana, foi unha menina que com once anos, entrou acompanhada pela sua irmán mais nova, um séquito de criádas e escrávas destinado a servíla e protexé-la deste mundo fero. Neste pequeno paraíso na terra, que supostamente era a cartuxa do Convento da Conceiçón de Beja. Mas a crúa realidade, era diferente, entrou nunha sacristía cheia de ratas, pequenas rivalidades e dous bandos enfrentados: o partido dos Baptistas e o partido dos Evanxelistas. Ás vezes chegava-se inclúso ás vías de facto. Os castigos decidiam-se na sala capitular. Parece ser, que as cartas de amor som verdadeiras, pela descripçón detalhada do convento e do nome das pessoas referidas. O oficial françês, foi introducido na cartuxa pelo irmán de Mariana, do qual era amigo. E foi alí dentro onde se consumou a paixón dos amantes. A primeira edicçón, em françês “Cartas de Amor a um Oficial Françês”, foi publicada de forma anónima, aínda em vida de Mariana e com o seu nome (as quais, segundo Almada Negreiros, forom posteriormente estragádas para português). O Convento da Conceiçón de Beja, é hoxe também um museo de antiguidades clássicas, sendo o primeiro grande coleccionador o Bispo de Évora. Têm peças prehistóricas, visigóticas, e está actualmente necessitado de urxente intervençón nos telhados, que possa evitar a catástrofe e o saqueo de peças valiosas, das quais muitas xa foron levadas para as capitais. Com este artigo, basado num programa da televisón portuguesa (Visita Guiáda), intentamos devolver algo de dignidade, a unha menina enterrada entre grossas paredes, para toda a vida.
léria cultural
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (50)
Hospital de San Xosé. O día 29 de Sptembro de 1914 á noite sonhei que estava na minha terra natural, e estaba a ver que hora era. logo aparecín com um escrito na mán, chorando diante de um individuo. O 1º de Decembro de 1914 fún ó hospital de Lisboa tomar unha consulta: os médicos me examinaron a 1ª vez, quando os demais, logo apartaron-me para um sítio, e por fím examinaron-me 2ª vez e non deron com a enfermedade, por último atribuíron o caso a falta de limpeza ou sarna, derom-me um baño e mandaron-me. De noite tivem um sonho, que tantas voltas levou que é impossíbel enumerálas; eu sonhei com consultas, carros, figueiras, caminhos, ouvín unha voz que me díxo… Generosa…xa está casada, por último vín-na nunha encrucilhada, acompanhada de unhas poucas pequenas. O día 2 de Decembro voltei ó hospital, e como fún em xexúm, voltei prá casa, e ó chegar iba apuntar éstas linhas, vindo-me ó momento unha cousa pola cabeza que quedei sem sentido por um minuto, porque se dura-se mais tempo, eu deixava de existir (vexa-se páxina 54… Susto páxina 55) Dor forte nos quadrís. O día 10 de Decembro de 1914 á noite tivem o sonho seguinte: Sonhei com minha nái, e despois voltei a sonhar e ó mesmo tempo o Spírito… estaba sobre mím inquietándome. Polas 4.50 da manhán despertei algo despavorido, estonteado, insensíbel com unha dor pontiaguda nos quadrís. O 17 fún ó Consulado… De noite notei que estaba num sítio que non conhecín, e estaba vendo um corvo negro, chamei por el e levantou voo para mím. Caput. Despois subín uns montes altos, que me pareceron os montes de Lisboa, vín uns cotos muito altos que eu imaxinéi ser os da Galiza (minha terra), despois sonhei que iba polo monte do Cotiño arriba, e vên-me em cima um forte pensamento de que eu som um malandro, e esqueceron-se-me muitas voltas, despertei, e encontro-me em Lisboa, com trinta reis e quinze centávos.
manuel calviño souto
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VATTIMO (CRISTIANISMO E COMUNISMO HERMENÊUTICO)
Provavelmente, só a pós-modernidade foi capaz de a conceber como unha lucidez extrema pois, no fundo, é a sua própria questón histórica como possibilidade de ser de unha época diferente, sem sair da modernidade, que entra aquí em xogo e se coloca sobre a mesa. Porqué? Porque se o nosso critério depender de acompanhar a história do ser e escutar o seu apelo e, dito de forma mais simples, acontece que toda interpretaçón depende do seu contexto, entón, no caso de se terem deslexitimado e desvanecido as grandes metanarrativas, o que está em causa desde Nietzsche é que a história do Occidente non sexa unha história da “carochinha”. Unha “História escrita pelos vencedores” (como decía Walter Benjamín) ou unha fábula inventada por Santo Agostinho seguindo unha certa interpretaçón, de Platón, a do Timeu (que era um mito político para o Platón do Crítias), e unha certa interpretaçón de Paulo de Tarso. Portanto, em que contexto histórico se inscrevería o critério debolista de Vattimo se xá non houbê-se o contexto do ser da história precisamente porque se tinham desvanecido a credibilidade e lexitimidade platónico-xudáico-cristán do relato de salvaçón agostiniano, transformado na história secularizada da libertaçón e emancipaçón da humanidade? Unha história que o iluminismo secularizou aínda mais, tornando-a no núcleo racional do humanismo iluminista. Unha questón endiabrada. Aquí se toca, entón, a partir de Lyotard, o núcleo da teoloxía política como fonte da metafísica da história. E, por outro lado, non estaría Heidegger, sobretudo após a “Kehre”, a seguir o Nietzsche do eterno retorno? Também non parece que Heidegger pudesse ser muito partidário de continuar tal macronarrativa, do que parece vir a saltar noutro “espaço-tempo” graças ao pensamento do “Ereignis”. Mas, o que faz Vattimo quando descobre o problema? Lonxe de se intimidar é, neste ponto, absolutamente decisivo, onde e quando alcança, do nosso ponto de vista, o auxe do seu pensamento e unha mais livre e vasta lucidez sobre a sua articulaçón do mesmo. Vattimo coloca a sí próprio duas questóns: porque realizou (ele próprio) unha hermenêutica debolista e esquerdísta dos textos de Nietzsche e de Heidegger? E, unha vez mais, porqué e com que critério se pode preferir, entre as plurais interpretaçóns, as que impliquem menos violência; as que mitiguem a violência e a imposiçón da força?
teresa oñate e brais g. arribas
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DERIVA HISTÓRICA (REBORDINHOS Nº1)
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REBORDINHOS Nº1
XACIMENTO ARQUEOLÓXICO GA36042011
Asentamento ao ar libre, a adscripçón é indeterminada, talvéz do Calcolítico ou da idade do Bronce. O pobre tamém non se librou da pista florestal de marras, que atravessa o xacimento. Restos de cerámica lisa. prehistórica e algunha industria lítica (núcleo de quarcita sobre canto rolado). As cerámicas, non son o suficientemente expressivas para concretar a sua adscripçón cultural, movendo-se entre o Calcolítico e a idade do Bronce, os restos aparecen na superfície do caminho, bastante dispersos nunha lonxitude duns centenares de metros.
a irmandade circular
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NIETZSCHE (ASSÍM FALAVA ZARATUSTRA) (17)
No início de 1883, e como um autêntico iluminado, Nietzsche escreve em Rapallo, e em apenas dez días, o prólogo e o primeiro libro de Zaratustra. O segundo e o terceiro libro suxirám desse mesmo estádo visionário e escrevê-los-á também em raxádas de dez días, no verán e no inverno seguintes. A obra é unha fábula que tem como protagonista Zaratustra, um profecta que oscila entre a solidón e o contácto com todo o tipo de personaxéns simbólicas, tanto animais (águias, cobras, burros, macacos…) como humanas (discípulos, bailarinas, mendigos, funambulistas…). Durante as suas andanças, o profecta pronuncía “unha espécie estranha de ‘sermóns morais’ ” em que irán aparecendo ideias que, como o eterno retorno, a vontade de poder ou o super-homem, se identificarán para sempre com o núcleo da filosofía nietzschiana. O filósofo está convencido de ter escrito a seu melhor libro, pelo seu conteúdo e pela sua forma. Com o seu estilo poético e alegórico, Nietzsche pretende transmitir um tipo de conhecimento que non necessita de argumentaçóns. Ao substituir os conceitos por imaxens, tenta recriar no leitor a sua própria experiência de inspiraçón ao conceber a obra. Neste sentido, Assím Falava Zaratustra é unha experiência única de ruptura com o pensamento racional (que poderíamos definir como discursivo, lóxico e dialéctico)e que, desde a obra de Sócrates, monopolizou a filosofía occidental. Nietzsche acredita ter chegado ao seu apoxeu como filósofo e sente-se “o homem mais independente da Europa”. Alberga esperanças de que, graças ao seu estilo, a valiosa menssaxém de Zaratustra possa chegar ao grande público. (Trinta anos depois, o governo alemán mandará imprimir 150 000 exemplares do libro para os soldados que lutam na Primeira Guerra Mundial.) No entanto, a obra passa despercebida. A eufória que sente ao comprovar a maturidade do seu pensamento, contrásta com a sua situaçón real: passa horas a tiritar de frío num quarto diminuto e, vendo-se ao espelho, exclama: “Amigo Nietzsche, agora estás totalmente sozinho!”
toni llácer
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