O HOMEM DOMINADO E ESCRAVIZADO POLA VONTADE (57)

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               O homem dominado e escravizado pola vontade vive, assim num cosntante movimento pendular entre o desexo e o aborrecimento:  quando chega a um extremo toma balanço para se deslocar para o outro.  Schopenhauer usa três imaxens da mitoloxia grega para expressar a sua deplorável situaçón:  Ixíon, que paga os seus crimes atado para toda eteridade com serpentes a unha roda em chamas que xira sem parar; as Danaides que pagam os seus pecados enchendo continuamente de água unha xarra com furos, por onde a água volta a sair; e Tântalo, condenado pelos deuses a sofrer de fame e sede, apesar de estar dentro de água até ao pescoço e ter um ramo carregado de frutos mesmo por cima da cabeça: quando baixa a cabeça para beber, a água escoa-se e quando ergue p braço para colher os frutos, o vento afasta o ramo.  Há outra personaxem, mais próxima de nós, xá non arquétipo, mas quase ser real, que expressa na perfeiçón o fracasso do desexo cego, a compreensón demasiado tardia de que estar escravizado pola vontade non causa senón sofrimento, frustraçón e morte.  O maior dos poetas, soube pôr em imaxens o que Schopenhauer mostrou na sua filosofia: “Amanhan, e amanhan, / arrasta-se com o seu passo lento día a día, / até à última sílaba do tempo previsto; / e todos os nossos ontes iluminarom tolos, / o caminho à morte empoeirada. / Fora, fora, breve candeia! / A vida non é mais que unha sombra móvel, / um mau actor que se pavoneia e inquieta no seu tempo em cena, / e que depois non mais se ouve. /  É um conto contado por um idiota, / cheio de ruído e fúria, / sem nenhum sentido”  (Macbeth, V, 5).  Será tudo?  Autoafirmaçón, ambiçón, competência, sobrevivência, procriaçón, crise dos quarenta, remorso, arrependimento, morte?  Schopenhauer mostra duas saídas ao “hamster” para que saía da roda.  Uma é um oásis no meio do deserto, a outra, um horizonte novo.  Oásis, xá o vimos, é a experiência estéctica, que ilumina e redime momentaneamente.   O horizonte novo é a compaixón, a resignaçón, a renúncia e a santidade.

joan solé

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