Arquivos diarios: 27/11/2017

“EXISTE UNHA INDUSTRIA DO FOGO NA GALIZA” (V)

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               “Assí é.  Há unha industria do fogo, mas non só do fogo, é unha industria florestal.  Coloquialmente chamamo-la a máfia florestal.  O fogo é unha ramificaçón mais do seu negócio.”

               “Mas se o Partido Popular que goberna na Galiza, e também o PSOE, están, por decir duramente, contaminados por este tipo de empressas e deste círculo vicioso, ¿como os sacas de aí?  Ademais, están organizados:  tenhem o poder, o dinheiro, o DOG.  Polo contrário,  os pequenos agricultores, non tenhem absolutamente nada.  É unha situaçón absolutamente perversa.”

               “Sem ningunha dúvida, o primeiro que faria, sería tomar unha medida muito impopular que consistiria em que a vixilância e a extinçón do fogo a pagariam os proprietários.  A xente non o sabe, mas quando os bombeiros venhem apagar um incêndio à tua casa, passam a factura, por isso todos temos que ter um seguro de lar.  Pois isto que parece tan lóxico para todo o mundo, no campo funciona de maneira diferente.  No campo podes ter um negócio privado, com um risco muito elevado, que é o de incêndio, mas quando arde o teu eucaliptal ou o teu pinheiral e venhem sofocar o fogo os bombeiros, paga a administraçón.  Ó final, conto com um negócio que graças a que tenho externalizados todos os custos funciona muito bem.”

               “Pois para começar, teriam que ter uns seguros altíssimos, e assumir eles o custo, algo que non poderiam fazer.  E entón seguramente mudaria o negócio, e dedicariam-se a outras cousas.  E ademais prohibiría ainda que poida soar autoritário, prantar nos próximos 50 anos nim um só pinheiro e eucalipto mais.  Protexeria os espaços naturais, poria normas estrictas em quanto à distância entre casas e estradas com respeito ás zonas arboradas.  E há dinheiro para isto, simplesmente há que mudar a orientaçón do Plan de Dessarrolho Rexional, que é com o que se accede ós fundos da UE.  O escenário é xá como o da última película de “Blade Runner”, com o sol tapado polos incêndios.”

               “Quando o que passou este ano suceda constantemente, algo terán que fazer.  Mas agora mesmo há um “status quo” que benefícia a determinadas pessoas, e mentras se lhe siga beneficiando e non se faga unha leitura diferente, a situaçón seguirá da mesma maneira.”

xabier vázquez pumariño

A MANEIRA DE SER (24)

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               Nesse mesmo ano, abandonou unha Berlim ameaçada pelas tropas de quem xá sabemos.  O filósofo, alheio a qualquer sentimento nacionalista, apenas queria paz e tranquilidade para dar forma ás suas ideias e o seu principal objectivo era escrever a tese de doutoramento que certificasse a sua condiçón de doutor em filosofia.  Em vez de se instalar em Weimar, onde, como se viu, as cousas com Johanna non tinham corrido muito bem, enclausurou-se numa povoaçón próxima de Rudolstadt.  Alí, aloxado numa pousada entre junho e novembro, escreveu “A Raiz Quádrupla do Princípio de Razón Suficiente”, a sua tese de doutoramento, um estudo sobre os diferentes tipos de conhecimento que se analizará no seguinte capítulo.  Arthur enviou o tratado á Universidade da vizinha cidade de Jena ( a guerra dificultava o envio para Berlim),  a qual lhe concedeu o título de doutor em Filosofia.  O inflamado doutor regressou a weimar, em novembro de 1813, e a Johanna deve-lhe ter parecido – fazendo um anacronismo – como um daqueles monstros dos filmes de terror que reaparece quando todos o davam xá como liquidado.  Esta visita foi a definitiva: Johanna expulsou-o de Weimar e nunca mais voltariam a ver-se.  Há unha certa discrepância entre os biógrafos em relaçón à índole moral da nái; alguns descreveram-na como unha mulher superficial, seductora e demasiado sociável, outros como unha dama culta que teve o lexítimo desexo de apreciar, em sociedade, a companhia de pessoas intelixentes e que teve a coragem de ter unha vida depois da morte do marido, algo que o filho xamais lhe perdoaria.  Aquí aceita-se a segunda visón e recorda-se, além disso, que Johanna respeitou e aceitou a vocaçón filosófica do filho, a quem deu unha liberdade que ele non foi capaz de conquistar e que, nos primeiros tempos, lhe facilitou bastante a vida.  Por isto, dá-se crédito ás cartas da nái, eloquentes na descriçón do carácter agressivo e irascível de Arthur:  “és maçador e prepotente e é para mim extremamente penoso conviver contigo.  Todas as tuas boas qualidades se perdem e non servem para nada por culpa da tua arrogância, simplesmente porque non consegues controlar a mania de querer saber tudo melhor do que ninguém, de encontrar falhas em todos menos em tí mesmo”; “saber que és feliz é algo necessário para a minha felicidade, mas non o é ser testemunha disso. (…) vieste de visita alguns dias e houve cenas violentas por nada e sempre por nada, e de cada vez que te vais embora eu respiro de alívio, porque me pesa a tua presença, as tuas queixas sobre cousas inevitáveis, as tuas caretas, os teus xulgamentos bizarros, que pronuncias como oráculos sem que se lhes possa apontar qualquer objecçón”; “acho que devias deixar que cada um sexa como é, tal como te deixam a tí”.  Podemos complementar estas notas de Johanna com as que o biógrafo Rüdiger Safranski transcreveu do escritor Von Biedenfeld, que conheceu Schopenhauer: “áspero e violento por fora, com raro poder de decisón e firmeza em assuntos científicos e literários.  Chamava todas as cousas pelo seu nome, tanto entre amigos como entre inimigos, e era muito dado ás piadas, frequentemente, demonstrava unha absoluta impertinência humorística”.  Se a esta combinaçón acrescentamos que, segundo Schopenhauer, o carácter é imutável, concluiremos que, por muito que se admire a sua intelixência, son escusados comentários sobre a sua maneira de ser.

joan solé