Arquivos diarios: 21/11/2017

PÉRIPLO EUROPEU (19)

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               Em combinaçón com os primeiros cinco anos de desatençóns maternas e paternas.  Teve de tomar a grande decisón na adolescência, unha idade de crise intensa.  Com efeito, na primavera de 1803 os pais e o filho (a pequena Adele permaneceu em Hamburgo com unha família amiga) empreenderam um périplo europeu que só terminaria no início de 1805:  Alemanha, Países Baixos (Amesterdam, Haia, Antuérpia, Gante), Inglaterra (seis meses em Londres, três dos quais Arthur passou internado num centro, nas proximidades de Wimbledon, para aprender bem a língua inglesa), Paris (dous meses), Bordéus (dous meses), sul de França, Genebra, Alpes, Viena.  Aquele “Grand Tour” – era assim que se chamavam as viaxens de formaçón que as pessoas abastadas faziam pela Europa, nos séculos XVIII e XIX – teve um excelente efeito em Arthur, xá que lhe abriu, numa idade muito precoce, um vasto panorama humano, cultural e xeográfico.  Non só viu mundo, como viu o mundo.  Podê visitar galerias de arte, palácios, óperetas e teatros, subir aos cumes alpinos, assistir a inovaçóns técnicas (revoluçón industrial inglesa), comunicou em francês e em inglês e, em contraste, pôde testemunhar o estado calamitoso em que a França ficou na sequência da Revoluçón de 1789 e as hordas de carenciados que a História abandonou á sua sorte (ou sexa, a escória da “racionalidade real” hegeliana).  Em adulto, Schopenhauer consideraria que aquela viagem lhe tinha permitido ler no grande livro da vida, o que o distinguia dos filósofos do seu tempo, que só tinham lido nos livros impressos.  Mais difícil foi a queda. Ao concluir o “Grand Tour”, Heinrich Floris enviou Arthur três meses para Danzig, a cidade natal de ambos, para que aprendesse num escritório de contabilidade a enfrentar a realidade do comércio:  escrever cartas elegantes, realizar cálculos complexos, desenvolver-se socialmente.  Arthur, indiferente a tudo aquilo, concentrou a sua atençón em aprender a dançar, em montar a cavalo e em tocar flauta, e lia com o mesmo prazer de sempre.  Ao mesmo tempo, sabia que estava a quebrar a palavra dada ao pai, o que non podia deixar de lhe pesar na consciência, unha vez que tinha interiorizada a sua autoridade.  O penúltimo passo para a soluçón do dilema deu-se a vinte de abril de 1805, quando Heinrich Floris morreu em circunstâncias muito estranhas ( precipitou-se do alto de um celeiro no qual non tinha nada para fazer) que apontam para o suicídio.

joan solé