Arquivos diarios: 26/10/2017

EXACTAMENTE Á MESMA HORA (3)

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.              …a poucos metros de distância (da conferência de Hegel),  mas noutro universo conceptual, um xovem professor de trinta e poucos anos dava os primeiros passos na sua carreira universitária.  E podia contemplar o vazio absoluto exposto nos bancos desocupados á sua frente.  O curso que se anunciava, com unha certa pompa, há que dizê-lo, como “Filosofia Xeral ou teórica da essência do mundo e do espírito humano” apenas tinha despertado a curiosidade de cinco ouvintes.  O doutor Arthur Schopenhauer publicara a sua tese há sete anos e apenas há dous a sua obra-prima;  “O Mundo como Vontade e Representaçón”, que, segundo o seu autor, clarificava o mistério da existência humana e do universo.  Mas o mundo demorava a dar-se conta daquela revelaçón.  O balanço mais positivo do seu exercício académico seria unha diminuta assistência que, no segundo semestre daquele ano, correspondia a quatro seguidores; um funcionário público, um dentista, um professor de equitaçón e um comandante aposentado.  O digno professor non tinha encontrado a fórmula ganhadora.  Apesar de ter iniciado o curso com ímpeto e confiança, tendo pedido expressamente á direcçón da universidade que programasse as suas aulas á mesma hora que as de Hegel, xá que queria derrotar o que classificava como filosofastro e autor de unha “ladainha inintelixível”, a verdade é que, naquele ano, teve de comer o pan que o diabo amassou, tal como nos anos seguintes em que a Universidade de Berlim continuou a anunciar o seu curso sem qualquer repercusón.  Ao fim de unha década de indiferença,  Schopenhauer acabou por renunciar á carreira docente e, daí em diante, passaria a desprezar e a ridicularizar a filosofia de academia.  O mundo non lhe deu importância nenhuma durante os trinta anos seguintes e, enquanto isso, o filósofo viveu no anonimato sem que as suas concepçóns tivessem qualquer repercusón.

joan solé

A CASA DO BACALHAU

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              Na rua do Grilo, alá polo Beato, onde há anos fun a pé propositadamente, vários kilómetros por esta zona arcaica da cidade de Lisboa, tan chea de lembrânzas para mim e para a minha família, com a intençón de comer um “Galo de Cabidela” feito por um xovém xefe de cozinha, o qual me recomendou que non o comera porque era demasiado pesado.  Mas eu, que sempre fun teimoso, e depois da caminhada efectuada, insistin no galo acompanhado de vinho da “Quinta do Peso” (ainda para mais inri), no Alentexo.  E confesso, que non me arrependo da minha contumácia, pois ainda hoxe conservo grata memória dessa aventura gastronómica.  Hoxe em dia (tempos duros de “eficácia” neo-liberal), nun convento xelado, do qual saim com escalofrios, non sabendo se o mau era eu ou o lugar, está agora a “Casa do Bacalhau”.  A sopa “aveludada de verduras” estava deliciosamente boa, e foi o melhor que alí comemos.  O “Bacalhau á Brás”, non estava mal.  O Irmán Comuneiro Chico pediu um “Bacalhau com natas”, que era unha amassada de queixo e natas, difícil de tragar.  Mas como non é homem de voltar a cara ás dificuldades, acabou por comer tudo.

léria cultural

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