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Segundo os neurocientistas, o medo produz-se em dois lugares diferentes do cérebro. No mais profundo gera-se o pânico, o medo instintivo que se activa mesmo de forma inconsciente perante estímulos exteriores. A responsável por este mecanismo de defesa é a amígdala, uma rede de circuitos neuronais do tamanho de uma amêndoa. Este sistema fica no centro do cérebro reptiliano, que partilhamos com muitos animais. Aí desencadeiam-se as respostas fisiológicas de grande intensidade que conhecemos como medo e que, em certas ocasions, nos podem levar a reagir de forma agressiva, por exemplo, quando atacamos ao sentir-nos ameaçados. Além deste medo primário, existe um segundo tipo de receio que se aloja no córtex cerebral, na zona pré-frontal, por cima dos olhos. A funçao dessa parte do cérebro é contextualizar os estímulos que recebemos para lhes dar uma resposta mais elaborada e racional, menos “automática” que a da amígdala. Aquí compensa-se a resposta, fisiológica através da actividade consciente. Por exemplo, este córtex permite-nos avaliar as consequências das nossas acçoes e, por isso, inibi-las, descartando-as ou retardando a sua satisfaçao. Além disso, esta parte da massa cerebral mais recente na evoluçao da espécie – daí o nome de neocórtex – pode modificar-se através da educaçao. Numa nota de rodapé, Hoobes parece ter antevisto uma distinçao similar entre os dois tipos de medo referidos. Em sua opiniao, nao significa só estar assustado: “inclue sob a palavra medo uma certa antevisao de males futuros; também nao concebo que a fuga seja a única propriedade do medo: desconfiar, suspeitar, vigiar, apetrechar-se para nao ter medo sao também próprios de quem está atemorizado” (De Cive, I).
IGNACIO ITURRALDE BLANCO
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Están dispostos de tal modo
estes dous espellos -un fronte a outro-
que eu – sentado ante un deles –
vexo o rostro e as costas miñas
ao mesmo tempo.
(Os amigos a meu carón
conversan de política
e a min non me importa o tema neste intre.)
Contemplo o meu rostro e as costas miñas.
E vexo un pensamento biunívoco,
cara e cruz do silencio asemade.
Mais non vexo o meu rostro aculto,
non sinto nada subterráneo
ou subconsciente, non percibo
nada do pasado que me forxou,
non sinto o olvido.
Sinto sí o futuro do pasado
que, reprimido pola vida que alongo
en loitas e trabalhos, xa olvido,
isto é: o silencio, a música
dos regueiriños, a paz, a desposesón.
francisco candeira
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Os trabalhadores indios de etnia tamil que emigraron para a cidade de Bangalore em busca de trabalho, vendían a sua sangue a clínicas privadas para dispor de algunhs fundos até encontrar emprego. Durante unha destas doazóns, foron anestesiados e despertaron mais tarde com um costurón no costado e um rin de menos. Dez camponêses puxeron unha denúncia na polícia por este motivo, sendo a primeira vez que as acusazóns de tráfico de orgaos, que xa existia desde longos anos atrás, tenhem testemunhas vivas e dispostas a falar. O preço dum rin para transplante nos Estados Unidos, vinha a custar aproximadamente um milhon e meio de pesetas no ano 1995.
léria cultural
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Á porta do exótico Bar
a muller andaba a saltos
entre puntos suspensivos. calando.
Despois o riso da muller
esvaraba ou baixaba escaleiras
apresuradamente
O vislumbre dun degradarse
imprimía unha graduazón
e era unha progresón xa elevándose,
á inversa, simulada:
e percibíase o tempo xusto
entre chanzo e chanzo
e o corto silencio entre dous golpes
era un grao azul de resaibo,
non de azul de mar,
de azul soleado
ou de azul escuro
entre estrelas brancas,
e en frente,
na parede apaciguada
por pintadas, contida
a resignazón, un
baixo relevo figurando
a Auga e a Terra
impuña un silencio elegante,
introducía unha omisón compasiva:
por non ferir e esaxerar o ar
con respirazón compulsiva
con careta sonora
con rabia innecesaria
con berro a destempo
da ignorancia.
francisco candeira
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Acabámos de ver que a filosofia de Hobbes se edifica sobre dous pilares básicos, estreitamente relacionados: toda a realidade reduz-se a matéria (materialismo radical) e todo o fenómeno resulta de uma concatenaçao de causas (mecanismo determinista). Dois pilares a que nao renuncia quando se confronta com as questoes humanas, o que o leva a considerar o homem como um mecanismo cujas acçoes sao explicáveis apelando a causas materiais. De facto, também concebe o ser humano como um autómato, cuja actuaçao se pode reduzir aos movimentos das suas partes: “O que é na verdade o coraçao senao uma mola? E os nervos, o que sao señao diversas fibras? E as articulaçoes, senao várias rodas que dao movimento ao corpo inteiro, tal como o Artífice o construiu?” (Leviata, introduçao). A antropologia de Hobbes entende-se melhor como reacçao ao dualismo de Descartes (nao crê que sejamos compostos por duas substâncias diferentes, corpo e alma, mas que somos exclusivamente matéria) e ás teses aristotélicas (Hobbes nao pensa que a nossa existência seja guiada por um “telos”, um fim ou propósito, mas que estamos imersos numa sucessao de causas necessárias; também nao considera que sejamos políticos por natureza, mas que a hostilidade rege as relaçoes sociais). Mais adiante veremos em pormenor todas estas questoes. O ser humano, como corpo em movimento na sua condiçao natural, é o tema principal do presente capítulo. Neste contexto, “natural” tem duas acepçoes. Por um lado, logicamente, refere-se áquilo que se encontra na natureza, neste caso á física e á biologia. Por outro, também significa o oposto ao artificial; assim, a vida num Estado contrapôe-se á vida natural. Através deste conceito de natureza, a fisiologia e a psicologia interligam-se com a ética e a questao do estado pré-político do ser humano. Daí também o “antes de serem cidadaos” do título deste capítulo, que, como veremos na penúltima parte, nao deve ser encarado num sentido cronológico. Neste capítulo, vamos também fazer uma aproximaçao a partir do direito, mais concretamente da constataçao inegável de que todos e cada um de nós resistimos a uma morte prematura, que Hobbes define como o direito natural de preservar a integridade física, isto é de a pessoa se proteger a sí própria. Neste sentido, só é possível a vida em sociedade se esse direito for regulado por um poder soberano que obrigue a respeitar certas normas de paz, que denomina leis naturais. Por outro lado, se a liberdade individual for ilimitada, a convivência converte-se numa anarquia dominada pelo caos e pela guerra. Esta distopia hobbesiana tem origem na igualdade de todos os seres humanos, dado que, na sua opiniao, todos partilhamos a mesma capacidade física e mental. O universo é composto exclusivamente por corpos em movimento e os homens nao sao excepçao. O nosso próprio corpo é um organismo material que nos determina. A nossa percepçao e o nosso pensamento também o sao. Além disso, somos todos movidos pelas mesmas paixoes, apetites e aversoes. Somos practicamente iguais. Contudo, embora os nossos organismos e os seus mecanismos psicológicos sejam os mesmos, o objecto do desejo de cada um varia de forma muito considerável. Somos atraídos pelo prazer e a dor repugna-nos, obviamente, mas aquilo que produz em nós uma e outra sao coisas completamente diferentes. Hobbes sublinha em especial esta ideia ao apresentar a sua imagem do homem. Mas antes de desenvolver a questao dos apetites, deveremos entender como somos capazes de descobrir as coisas que nos atraem ou repugnam. Devemos, portanto, orientar a nossa reflexao para a forma como percepcionamos o mundo exterior.
ignacio iturralde blanco
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Disque Almanzor puxo a beber o seu cabalo
nunha pila de auga bendita,
que encontrou Compostela
deserta: só había un monxe en orazón.
Eu recordo esta historia
aquí nun paradisíaco altiplano
de A Graña, ateigado de cabalos.
Sinto unha sensazón insólita.
Síntome un monxe único (aillado)
extrañado por saber o mar máis alá,
lonxano e indiscerníbel
(mais non me sinto un bispo San Gonzalo
fundindo a cada orazón unha nao
wikinga).
Síntome un monxe, non solitario,
profundamente acompañado e só,
pensando teimudamente nun ar de éxtase
ou insensíbel á pel e aos sentidos
mais real e existente.
Ese ar estraño move maxicamente as frontes e as caudas
de todos estes cabalos que pacen ante min,
parados, profundamente quietos de tronco e patas:
son cabalos indiferentes, alleos, felices,
movidos aparentemente por un ar estraño.
(Moven as frontes e as caudas
deixando o resto do corpo inmóbil
tal como os debuxos animados
falan movendo só a boca
e deixan quieto o resto do rostro
– non, evidentemente, como aqueles
que cantan en play-back,
que moven a boca mais lles falta o espírito
malia moveren o rostro e o corpo todo.)
Estes cabalos están cheos de espírito e plenitude:
son cabalos indiferentes, alleos, felices,
movidos aparentemente por un ar estraño.
De súpeto un deles avanta, érguese
e afronta coas mans a un outro.
¡Mais, caramba, se eu non rezara ningunha orazón!
francisco candeira
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Publicaran-se tantos documentos – libros, folhetos, informes, etc… – sobre a obra realizada polos trabalhadores de Aragón. Centenas de Colectividades camponêsas foron criadas e viviron entregadas de cheo á missión de trabalhar para a causa popular. Novas modalidades de convivencia foron estabelecidas. As Columnas libertadoras, que partiran de Barcelona em Xulho de 1936, favoreceron e impulsaron a transformación Revolucionária. Todo o Aragón antifascista, vivia na guerra e na Revolución. O esforzo, o espíritu, a tendência de Aragón, era nectamente confederal, libertária. Á C.N.T. e á F.A.I., ás suas militâncias aragonesas, coubo o rol histórico de realizar um ensaio formidável de experiências económicas, políticas, sociais, atraindo á órbita da Revolución as massas camponêsas que aportaron os seus homes para as frentes e para o trabalho intensivo, solidário, guiados pelo lema da igualdade e da xustiza social. Aragón criou, como num inmenso laboratório, uma rede de Colectividades federadas entre sí. E porque a obra do povo aragonês foi obra libertária, inspirada e orientada pola C.N.T. e pola F.A.I., atraíu o ódio dos que se deron por missión em plena guerra e mentras estrepitosamente predicavan a “unidade”, de desprestigiar, e trabalhar para destruir tudo quanto fora criación revolucionária, confederal e anarquista. O Partido Comunista, partido da contrarrevolución, que provocou os tráxicos sucessos de Maio de 1937, coaligando-se com os elementos do “Estat Catalá” e da “La Esquerrq” os quais para “dar a Batalha á F.A.I.”, compraron armas curtas em França e conspiraron em París com os axentes de Dencás, e desertores como Gassol, amén doutros da sua calaña, mas non puideron conseguir os seus objectivos porque a potencialidade revolucionária da C.N.T. e da F.A.I., deu probas de existência na rua. Mas depois de maio de 1937, Largo Caballero, tramou e levou á práctica, quantos procedimentos puido para destrozar a obra revolucionária do Movimento Libertário. Impuxo ó novo goberno a represión que non quixo realizar o anterior; comezou a “desenterrar mortos” e a incoar procesos por actos realizados nos dias gloriosos da Revolución em Xulho do 36, puxo em máxima tension o seu próprio mecanismo de terror, movilizando as suas “Chekas” e entre tanta provocación non podia faltar o zarpazo ao que fora o exponênte máis digno da Revolucción: o Aragón Confederal. Vimos entón a disolucción do Concelho de Aragón trás as manobras dos políticos do Frente Popular que dias antes se comprometeram a defender o Concelho como organismo representativo autêntico do Povo Aragonês. Mas ó Aragón Libertário, colmeia de trabalho fecundo, só podia dar-lhe batalha quem odiara profundamente o proletariado confederal, quem tivera as condicions dos clássicos verdugos do Povo, quem non titubeara em demandar sangue de trabalhadores, ainda que fora essa sangue a que defendia o País do perigo dos fascistas. A eleiccíon non puido ser máis acertada. O Partido Comunista, sempre a través do Goberno Central, mandou a Aragón a “División 11”, cuxo xefe era o tristemente célebre, lister.
félix alvarez ferreras

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Na croa de Lañas
aparece, na madrugada,
unha galiña coa súa rolada de pitos.
Pitos de ouro que non deixan rastro,
que ninguén puido coller.
Disque é un Encanto, unha doncela
que antes da mencida
sai a peinarse os cabelos roxos
cun peite de ouro.
Tamén ninguén pode coller
un sol que de súpeto
irrompe pola eira
logo dunha enlutada e bretemosa vella
como a bretemosa mañá
abrir o galiñeiro
da galiña dos pitos dourados.
francisco candeira
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Hobbes foi um materialista radical. No seu universo, tudo é matéria, mais concretamente, matéria em movimento, incluindo a alma. E quando Hobbes fala de matéria nao se refere, como Aristóteles, a um substracto primordial que necessita de forma: entende por matéria a única substância que existe (nem espírito, nem formas, nem essências). A matéria, constitui todos os corpos, de tal modo que nada existe que nao seja corpóreo (e, além disso, exclusivamente corpóreo), e, portanto, que nao ocupe uma determinada extensao, incluindo Deus. Este universo hobbesiano é, além disso, mecanicista e determinista. Nele tudo está determinado causalmente. Todas as coisas que o formam, isto é, corpos e movimentos, sao o resultado de uma concatenaçao de causas. Mas Hobbes, mais uma vez ao contrário do fundador do Liceu (com a sua visao finalista ou teleológica da causalidade), nao considera que exista mais de uma única causa: a causa necessária. Isso garante que, uma vez conhecida esta última, pode deducir-se o efeito que causará, e vice-versa, conhecido o efeito, estaremos em condiçoes de recuar á causa que o produz. De qualquer modo, Hobbes é prudente ao calibrar o conhecimento possível e afirma que esse conhecimento é do tipo “se isto é, aquilo é; se isto foi, aquilo foi; se isto vai ser, aquilo será” (Leviata, VII). Detenhamo-nos agora nas definiçoes, dado que abundan na obra de Hobbes e sao necessárias para compreender com maior profundidade a sua ontologia: (…) Entender-se há melhor com um exemplo simples: se ficamos intrigados com o modo como se formou o cubo de gelo que fluctua no nosso copo, devemos descartar a maior parte dos seus accidentes (extensao, dureza, peso, movimento, densidade, etc.) até encontrar aquele que realmente participa da sua produçao (a temperatura). Assim, se aplicamos correctamente o método científico que vamos descrever, descobriremos que a temperatura inferior a zero graus foi a causa que transformou a água, o corpo em repouso, em gelo. Foi o accidente que produziu as alteraçoes internas até criar o cubo de gelo e, como é uma causa necessária, nao é possível que a água a uma temperatura inferior a zero graus nao se transforme em gelo. Fica assim patente que estamos perante uma cosmologia sujeita por completo á lei da causalidade, á excepçao de Deus (que, embora, seja um corpo, nao pode ser gerado por nenhuma causa anterior). Todo o efeito tem uma causa necessária, de tal forma que tudo, do mais pequeno e insignificante dos homens, até ás suas mais complexas instituiçoes políticas, estao determinados por uma sucessao de causas que recuam a uma primeira que é precisamente esse Deus que, como vamos definir de segunda, vai ficar excluido da verdadeira ciência, a indagaçao filosófica.
ignacio iturralde blanco
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Cómo escribirte Courel
senón encouro…
E eu, encouro de verbas,
poño un castiñeiro, moitísimos castiñeiros,
no ermo denso da memoria.
O fondo e o cumio en solidón,
perfeitamente nidios no cadro da intimidade,
son agora compañeiros de por vida.
O mellor xeito de chamarte
agroma cando me ergo no silencio da noite:
o fumo do meu cigarro elévase entón
coa limpidez e altura dos teus montes,
co sosego claro, longo, de verán, na elevazón da profundidade.
Sempre te recordo no medio da noite, fumando,
entre o silencio máis fondo
e o ermo altivo das alturas solitarias.
francisco candeira
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Os usos e recursos da parroquia, xa identificada cun territorio máis específico, se definen por parte do común dos veciños cos costumes e aproveitamentos económicos que sinalan o espazo vital da parroquia, que resultará do equilibrio entre poboación e recursos, non só os directos da explotación agrícola das leiras senón tamén dos montes que complementarán unha economía de subsistencia. A igrexa de Santa Leocadia ficará así como fito referencial, marco e límite da parroquia baixomedieval de Guillade, e tamén a capela de Santo tomé aparecerá como outro marco referencial nos límites parroquiais do século XVIII, evidencia de outro núcleo relixioso que foi xurdindo na primitiva parroquia de Guillade e que sendo abandonada nun momento indeterminado dos últimos séculos medievais pasaría a servir como referencia entre as parroquias de Guillade (Ponteareas), Cumiar (Ponteareas) e Mouriscados (Mondariz). Os restos arqueolóxicos na zona evidencian unha ocupación que vai do Bronce Final-Idade do Ferro, a unha ocupación altomedieval, aparecendo cerámica asociada a este momento de ocupación, probablemente xa a ermida medieval de Santo Tomé. A igrexa de San Miguel de Guillade xa corresponde a unha edificación realizada en 1801. Entre finais do século XVIII e comezos do século XIX reedifícanse ou modifícanse moitas das igrexas parroquiais do bispado de Tui. A súa tipoloxía obedece ao momento, con formas aínda do barroco miñoto e tímidas expresións do clasicismo académico. O resultado é o dominio das liñas sinxelas só ficando ornamentado o fornelo sobre a porta principal, coa imaxe de San Miguel. A gran espadaña fica estruturada en tres niveis; o primeiro de dous ocos semicirculares para as campás; o segundo un único oco semicircular; e o último un pequeño óculo no centro do tímpano triangular. O recinto do adro da igrexa tamén ofrece unha interesante intervención, con dous fornelos flanqueando a cancela de entrada, con decoración de pináculos en baixorelevo e outras formas xeométricas. Guillade ten boa ventilación, e clima saudábel, participa de monte e llano e é bastante fértil. Comprende os seguintes bairros: Abal, Angostada, Cabadiña, Carreira, Castro, Eirado, Forquelos, Lama, Lomba, Pazo da Fonte, Portela, Ponte de Xil, Pazos, Piñeiro, Rañó, Reimonde, Mourigal, Surreira e Viñó.
léria cultural
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Levantei a vista
A luz do luar
e as nítidas estrelas
A lúa: unha falerpa de neve
que non cai, redonda, aloumiñante,
non cega, ou ve todo na cegueira
O luar nas cousas próximas,
na terra, na baldosa, nos tellados.
Debo por agora a testa entre as maos
Unha árbore é unha sombra,
unha sombra oval, perfeita,
e estremece, abanea,
causa rumor, marmurio de follas,
co ar deixa de ser bulto nidio,
mesto, coñecido de antes,
e desfai a súa materia
desintégrase sen perderse,
dinos que non está soa,
que está viva, acompañada
do luar, do silencio: Harmonía.
Mais aquela luz
inventada polo home, farola posta,
demasiado próxima, fea,
está fóra de lugar,
exaxerada mais non eterna,
útil talvez mais forzada,
só ela me distraíu mal,
truncou a miña unión
inconsciente e total,
perfeita e serena
coa orde natural das cousas,
co perfeito e calado
Universo.
francisco candeira
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Convencido que estava de que existia continuidade entre física, psicologia e política. Hobbes foi um dos primeiros pensadores a postular um universo mecanicista ou, o que é o mesmo, a considerar que toda a realidade tem uma estructura semelhante á de uma máquina e, por conseguinte, pode explicar-se de um ponto de vista mecânico. A sua cosmologia baseia-se na materialidade de todos os entes, que, como peças de uma engrenagem, encaixam a partir de um nível inanimado, o da matéria, passando pelo dos corpos vivos, como os organismos biológicos e alcançando o nível mais artificial, o do Estado, composto por súbditos e soberano. Portanto é necessário conhecer os pressupostos ontológicos e epistemológicos para conseguir compreender a sua filosofia política, que é, sem dúvida, o apogeu do seu pensamento. “Do mesmo modo que um relógio ou noutra máquina pequena, a matéria, a figura e o movimento das rodas nao podem conhecer-se bem se nao forem desmontados para examinar as suas partes, também para realizar uma investigaçao mais cuidadosa acerca dos direitos dos Estados e dos deveres dos súbditos é necessário nao digo separá-los, mas considerá-los como se estivessem separados” (De Cive, prefácio). Vamos apresentar os elementos mais importantes do pensamento de Hobbes em dois âmbitos: a metafísica e a teoria do conhecimento, sem aprofundar, por outro lado, as questoes mais técnicas, como a lógica, a óptica ou a geometria, dado que nao sao tao relevantes para nos aproximarmos da sua filosofia. De forma similar, deter-nos-emos na exposiçao das suas teses sobre a linguagem, que estao mais intimamente relacionadas com aspectos da percepçao humana, questao que trataremos no capítulo “Dos seres humanos (antes de serem cidadaos)”. Além disso, segundo Hobbes, sem linguagem nao é possível a vida em sociedade; será esta a matéria do capítulo “Dos monstros artificiais (e da vida em sociedade)”.
ignacio iturralde blanco
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Quixera ter azas
pra sentirvos escondido, non pra voar.
¡Quen me dera sentir o meu peso
en cada unha das follas da figueira,
andar cos meus pés sobre todas elas!
Son un caso perdido
mais xa castigarei meu corpo
pra apalpar unha a unha as follas
que retira o Outono.
¡Nada nos convén
se non temos unha alma de ar tenro!
francisco candeira
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Catro días antes do Nadal de 1945, tres axentes de policía comparecen na comisaría de Vigo. Facíano alertados polas revelacións nunhas conversas mal engulidas nas tabernas de Ponteareas. O viño e o clima teñen a astucia de desamarrar os segredos agochados nos remorsos da vida. Mais hai pesares capaces de partir as vidas polo medio. Como a de L. T., fillo de Dolores, quen naceu en Ponteareas o 2 de decembro de 1909, mariñeiro ponteareán, residente en Nova Iorque tres anos, entre 1924 e 1927, quen coñeceu Glasgw, Sudamérica e os países centroamericanos a bordo do Ulua, do Toloa, do Metapan ou do Pastores, quen fora soldado canda a República do 1931, quen perdeu a vida aos 28 anos porque se negou a vender unha finca lindante coa dun tablajero natural de Tomiño e residente en Angoares. Ninguén pensou que o asañamento da morte de L. T., unha precuela de Henry, retraro dun asasino, ficase burilada e mal enleada ao ruido da morte do 36. Desaparecido desde o inicio da guerra civil, para non ser acusado de “rojo”, a metade do corpo da cintura para abaixo de L. T. foi encontrada por un rapaz de Moreira e un veciño de San Mateo que pastoreaban o gando no Monte Alegre. Unha perna comida polas bestas. Unha identificación imposíbel. Os restos de cintura para abaixo seccionados pola columna vertebral a nivel da undécima vértebra. O sumario xudicial é coma un estilete: “posiblemente con un instrumento de filo romo a juzgar por la irregularidad de la superficie de sección”. Cando ás 17 horas do 29 de outubro de 1937 o alcalde de barrio de Moreira denuncia o horríbel crime, haberá de agardar máis de oito anos a que o viño dun boliche de Ponteareas desbocase a lingua dun dos catro veciños de Angoares culpábeis do asasinato de L. T. Un terreo lindante que L. T. se negaba a ceder. Unha enxurrada de ameazas que L. T. non consentiu quedarse a escoitar. Unha fuxida sen norte que amparou a violencia desacougante. Catro homes (tres contratados, por 150 ou 100 pesetas) contra un. L.T. fuxe polo tellado e intérnase nun campo de millo. Tópano nuns muiños. Cando lle dan caza no monte Roleiro, na parte alta dos muiños de David, en Arangueiro, apaléano, íspeno, átano cunha corda, tápanlle a boca cun pano de man e, cunha macheta primeiro (“no cortaba bien”, reza o auto), e cun serrón de carniceiros despois, en vivo, trózano primeiro pola cintura (“darvos presa”, escoitouse na madrugada), córtano en anacos logo (debaixo do peito, dos brazos, as mans, as pernas, a cabeza polo colo), para colocalos en tres sacos dos que os carniceiros acostuman misturar carne, sangue de matadeiro e sebo (“ninguén se decatará”, asegurou un dos asasinos). Despois ocultaron os sacos entre os espiñeiros, espallando o contido por diferentes lugares dos montes de Moreira. “Se alguén di algo, desóllovos vivos”, advertiu o xefe dos matachins, R. C. C. Ao día seguinte, topáronnos, os anacos, os pastores. Os peritos médicos afirmaron no xuizo que o desmembramento en vida non era nada habitual. De Nova Iorque, mercada uns meses antes, era a carteira que levava L. T. , con dúas fotografías, unha da súa nai e outra dun amigo descoñecido. E unha moeda de cobre de cinco céntimos. L. T. non se metía con ninguén. Tivo que escapar e fuxir agardando diariamente a comida que lle traía a nai”, confesa unha das testemuñas. Xulgados, foran condeados a trinta anos por asasinato. Dous dos asasinos foron enviados á Colonia Penitenciaria del Dueso, en Santoña. Alí chegaron en 1950. Un deles extinguiu pena en 1964. O principal responsábel do asasinato morreu no Hospital Penitenciario Eduardo Aunós en 1953 a consecuencia dunha úlcera duodenal con cirrosis hepática. O cuarto xa morrera antes da detención. A nai de L. T., A Ruca, faleceu o 4 de maio de 1939. Ela sempre quixo vender ese terreo.
ángel r. gallardo
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