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Investigar a ligaçao de Sartre ao marxismo nao é fácil. E nao apenas porque a sua leitura de Marx reflicta lacunas significativas no conhecimento da obra, mas porque a aproximaçao do nosso filósofo ao marxismo decorre paralelamente ás suas próprias aproximaçoes e afastamentos da política comunista. Este duplo horizonte, que inclui discussoes propriamente filosóficas e polémicas claramente políticas, dificulta qualquer análise porque, ás vezes, parece partilhar o essencial do marxismo quando se afasta da política do PCF e, pelo contrário, parece aproximar-se da política do partido, quando se afasta do horizonte teórico marxista. É realmente uma montanha-russa de subidas íngremes e descidas vertiginosas… E a questao torna-se mais difícil se tivermos em conta a diversidade do marxismo a partir do pós-guerra, com uma variedade de alternativas realmente notável: de facto, quando Sartre se afasta da política do PCF, sentir-se-á muito próximo da orientaçao dos comunistas italianos – mas de quais? -, e posteriormente da alternativa cubana, e, antes, da renovaçao maoista – de facto, Beauvoir publicará uma extensa análise da realidade chinesa em 1955, intitulada “A Longa Marcha: ensaio sobre a China”. Estas dificuldades farao com que nos centremos em alguns aspectos superficiais, embora indispensáveis da relaçao de Sartre com o marxismo, conscientes de que uma análise mais pormenorizada nos apresentaria questoes que só poderiam ser abordadas “in extenso”.
J. L. RODRIGUEZ GARCIA
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Xa non ten Historia pra contar,
xa está entregue a outro destino
o portalón da Inquisición.
Noutrora pazo, arestora fachada
medio inclinada cara a dentro.
Hoxe máscara con vertixe
cara ao interior do seu pasado.
Sentín máis emoción, e máis medo,
e máis abraio, e máis lonxanía
ao cruzar o seu limiar
-!que morra a Institución! –
que ao pasar por debaixo
do túnel da Caniza,
cos seus dous kilómetros e medio,
e que polo visto o fixo Alguén
no día da inauguración,
tras muitísimas e fatigosas visturias.
Cando crucei a Porta
dei un vasto paso cara a profundidade
dos tempos, e a vertixe
que sentin, se fora de noite,
ou en soño, podia comparar-se
ao paso que algunha vez deu
Athanasius Pernath, cando
semellaba descaír cara adiante,
obnubilado polo Golem.
Eu, ao tempo que a fachada,
pareceume cair cara adentro,
cara ao pasado das idades
e as nubes das xeracións.
francisco candeira
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