Arquivos diarios: 05/06/2017

O MARXISMO NO HORIZONTE (XIV)

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               Investigar a ligaçao de Sartre ao marxismo nao é fácil. E nao apenas porque a sua leitura de Marx reflicta lacunas significativas no conhecimento da obra, mas porque a aproximaçao do nosso filósofo ao marxismo decorre paralelamente ás suas próprias aproximaçoes e afastamentos da política comunista.  Este duplo horizonte, que inclui discussoes propriamente filosóficas e polémicas claramente políticas, dificulta qualquer análise porque, ás vezes, parece partilhar o essencial do marxismo quando se afasta da política do PCF e, pelo contrário, parece aproximar-se da política do partido, quando se afasta do horizonte teórico marxista.  É realmente uma montanha-russa de subidas íngremes e descidas vertiginosas…  E a questao torna-se mais difícil se tivermos em conta a diversidade do marxismo a partir do pós-guerra, com uma variedade de alternativas realmente notável:  de facto, quando Sartre se afasta da política do PCF, sentir-se-á muito próximo da orientaçao dos comunistas italianos – mas de quais? -, e posteriormente da alternativa cubana, e, antes, da renovaçao maoista – de facto, Beauvoir publicará uma extensa análise da realidade chinesa em 1955, intitulada “A Longa Marcha: ensaio sobre a China”.  Estas dificuldades farao com que nos centremos em alguns aspectos superficiais, embora indispensáveis da relaçao de Sartre com o marxismo, conscientes de que uma análise mais pormenorizada nos apresentaria questoes que só poderiam ser abordadas “in extenso”.

 

J. L. RODRIGUEZ GARCIA

CORZÁNS

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Xa non ten Historia pra contar,

xa está entregue a outro destino

o portalón da Inquisición.

Noutrora pazo, arestora fachada

medio inclinada cara a dentro.

Hoxe máscara con vertixe

cara ao interior do seu pasado.

Sentín máis  emoción, e máis medo,

e máis abraio, e máis lonxanía

ao cruzar o seu limiar

-!que morra a Institución! –

que ao pasar por debaixo

do túnel da Caniza,

cos seus dous kilómetros e medio,

e que polo visto o fixo Alguén

no día da inauguración,

tras muitísimas e fatigosas visturias.

Cando crucei a Porta

dei un vasto paso cara a profundidade

dos tempos, e a vertixe

que sentin, se fora de noite,

ou en soño, podia comparar-se

ao paso que algunha vez deu

Athanasius Pernath, cando

semellaba descaír cara adiante,

obnubilado polo Golem.

Eu, ao tempo que a fachada,

pareceume cair cara adentro,

cara ao pasado das idades

e as nubes das xeracións.

 

francisco candeira