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Ha ser teu riso turxente ondeando alto en teu peito.
a abrolla-lo breve abrente infindo sorriso afeito.
Ha ser teu corpo un olvido por rúas cegas de luz
un corpo esguío, tal bido, coa calor a contraluz.
Será unha ra e unha barca
reabre o teu ollar salobre
e nos teus portos, ribeiras
abertas á noite dobre,
arribarán quizais fontes
ou trémulas eguas albas
chegadas dos irtos montes
ata este ermo de ondas malvas.
francisco xosé candeira
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Que muyto meu pago d’este verao
por estes rramos e por estas flores,
e polas aves que cantan d’amores,
por que ando hy led’e sen cuydado;
e assy faz tod omen namorado:
sempre y anda led’e muy louçao.
Cand’eu passo per alguas rribeiras
so boas arvores, per boos prados,
se cantan hy passaros namorados
log’eu con amores hy vou cantando.
AIRAS NUNES
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No mar tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercibida;
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que nao se arme e indigne o Céu sereno
contra um bicho da terra tao pequeno?
Tu, só tu, puro amor, com força crua,
Que os coraçoes humanos tanto obriga,
Deste causa á molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.
Estavas, linda Inês, posta em sossego
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna nao deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e ás ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que depois de morta foi Rainha.
LUIS DE CAMOES
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