Arquivos mensuais: Setembro 2016

A PIRÂMIDE CONTRA O CIRCULO

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.         “Trata-se de descubrir as razons polas que a “ideoloxia do circulo” deixou de ser imperante na Montanha Vasca.   Para isso, vamos analizar primeiramente os sustentos básicos do referido sistema, fixando-nos nas suas crenças naturalistas.   A ruptura do equilibrio produciu desencaixes económicos e demográficos que terminan  por facer derrubar todos os pilares da sociedade primitivamente igualitária, comunalista e “sem Estado”.   Aparece enton a pirâmide, sorte de metáfora xeométrica da xerarquia, atacando o circulo até ferilo de morte.   Cabe tamém destacar que indagamos na non-estória da Montanha Vasca como nunha sucesion cronolóxica de feitos.   Apoiando-nos em descripcions e em crónicas diversas para tratar de ver quais son as realidades que delatan a existencia de actividades humanas que a nosso entender contribuiron a manter as ânsias de autonomia das sociedades da Montanha Vasca respeito da centralizacion do poder, e a mercantilizacion e exploracion xeral.   Partindo do final do neolítico e alcançando os anos oitenta de século vinte.   Resaltados os ditos períodos estóricos basandonos em datos documentados sobre a realidade da Montanha Vasca.   Mas tamém nos atrevemos a interpretar algum conceito particular da cultura e da fala vasca, assim como certos textos.   Finalmente, há que dicer que Comunidades sem Estado na Montanha Vasca desexa facer pender a reflexion libertária em Euskal-Herriak mas tamém mais alá, no seio de qualquer comunidade indixena ancestral ou recén nascida, e mais ainda por nascer.   Chamamos comunidades ós grupos de pessoas que orixinalmente vivian ou viven baixo um conxunto elexido e igualitário de regras, antitéticas do poder estatal, alonxadas do sistema económico, social e cultural por el organizado.   Referimo-nos ás ocupacions rurais ou da cidade, de Europa, de América ou de qualquer outro continente, a todas as experiências humanas que se separaron da propriedade privada, da exploracion dos recursos naturais com fims productivistas, assim como da xerárquia.   Queremos deixar claro que, estóricamente as comunidades foron e son despoxadas do seu sentido orixinal por unha colonizacion interna ou externa, quando non por âmbas.   E que só recuperaran o seu ser quando saiban separar o que as define essencialmente de toda contaminacion ideolóxica do âmbito rizómico do poder.

SALES SANTOS VERA

ITZIAR MADINA ELGUEZABAL

COMUNIDADES SEM ESTADO NA MONTANHA VASCA

     COMUNIDADES SEM ESTADO NA MONTANHA VASCA

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O DOMINIO NON APARECE ATÉ QUE SE EXERCE

          “Plasma-se a problemática do poder.   ¿ Como consegue este instalar-se nunhas comunidades autárquicas que lhe son completamente alheias e que non o necesitan?   Trás descreber os estamentos de socializacion das comunidades sem estado na Montanha Vasca, centraremo-nos no papel xogado pela cristianizacion e o Caminho de Santiago em xeral, e em particular, os mosteiros.   Através destes analizaremos o choque producido entre a estructura comunalista existente e o sistema monacal que introduciu a propriedade privada, o servilismo, a xerarquía e a obediencia ó Estado feudal.   Pouco a pouco as comunidades primitivas foron perdendo a sua autonomia política, recuperada por unha élite que nasceu da segregacion social entre “vecinhos” e “residentes”.   A consequencia disto, as estructuras primitivas igualitárias e non xerarquizadas foron desaparecendo.   Assim a “batzarre” ou “assambleia popular” foi suplantada pela  “xunta”.   Esta ultima tinha um numero restrinxido de participantes e ademais eran elexidos por critérios sociais élitistas.   Pola sua parte o “auzolan”, sistema de trabalho destinado o bem da comunidade e á axuda recíproca entre vecinhos, quedou desvirtuado.   Desaparece o “auzolan” que fora dictado pela necessidade real de apoio mútuo.   Aparece a privatizacion dos recursos naturais, algo inimaxinábel no sistema primitivo em que prima o comunal.   De tal maneira, ganhou a batalha o Estado.   Denominamos este processo de “colonizacion interna” da sociedade vasca.   Á par, trataremos de analizar em que medida as reivindicacions libertadoras dos seus povoadores son sinal da vontade da Montanha Vasca de resistir ás embestidas da colonizacion ou de minimizar o seu impacto sobre a organizacion social, económica, política e cultura orixinal.”

SALES SANTOS VERA

ITZIAR MADINA ELGUEZABAL

DEFINICION DO TURISMO E O TURISTA

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                  DEFINICION DO TURISTA

                  Antes de começar ésta excursion através de algunhas ideias, abramos o diccionário, como quem consulta unha guia de viaxes, e busquemos nas suas páxinas o significado xusto do termo que temos que explorar.   “Turista” é unha palabra nova no léxico espanhol;  sinal de que a modalidade designada tem  de ser unha costume recente entre nós.   Turista é, no efeito, “o que viaxa pelo seu gosto” e, ainda que o povo espanhol e como el os da sua descendência non tenham sido dos menos viaxeiros, só extremando a interpretacion se pode afirmar que tenham viaxado por gosto.   A fé os levou a percorrer a terra com o bordón na man unhas veces, com a pica ou o mosquete, outras;   e assim , peregrinando e guerreando, foi âmpliando o horizonte familiar até rodear o mundo.   Despois da fé, a cobiça, como essas manadas de  selvaxems alanos que trouxeron  consigo os conquistadores, seguiu o rastro glorioso.   Trás o apóstol, o bigardo;   e xunto ó capitán que baptizava com nomes devotos os lugares que descubria ou as villas que fundava, o traficante buscador de tesouros.   Com frequência, a fé divina e a avaricia terrenal compartiron a alma dos conquistadores, cuxa fisionomía moral nos aparece tal como a viron os americanos autóctonos:   um homem sobre unha besta.   Peregrinos, guerreiros ou emigrantes, os colonizadores espanhois nunca viaxaron por gosto, nunca foron “turistas”.   Tampouco o fixeron por prazer os navegantes ingleses que foron desenhando pouco a pouco a carta do mundo dando á Gran Bretanha o domínio dos mares.   Nin menos, os exploradores que no século passado descubriron as intimidades do continente africano.   Estes cabaleiros andantes da xeografia queriam encher os claros que ainda ficavam nos seus mapas (tantos espaços brancos no “continente negro” era algo intolerável).   Em realidade, a costume de viaxar sem obxecto, só por recrear os olhos e descansar a mente, é unha costume nova.   Fai apenas cem anos, um viaxe era unha aventura que se sabia como comezaba, mas non como podia terminar.   O viaxeiro de hoxe, o “turista”, sabe de anteman quando vai a chegar, que é o que vai ver, como vai ser tratado e quando regresará.   Libre de inquietudes materiais, pode disfrutar beatificamente do espectáculo que desfila ante seus olhos.   Acodado á barandilha do barco, sentado xunto á xanela do comboio ou acomodado na traseira do seu automóbil, o viaxeiro moderno conhece o prazer das mudanzas de paisaxem, um prazer puro, sereno, do que nunca puideron gozar completamente nim os peregrinos, nem os aventureiros e muito   menos os traficantes.   É um prazer novo, a forza de limpo e com razón a palabra que o designa “turismo” é unha verba nova.

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OS FILÓSOFOS DO PERIPATO

4            os filósofos peripatéticos.

                   O meu tio era um filósofo peripatético de terceira ordem.   Com esta classificacion non quero rebaixar o seu mérito como  pensador, senon simplesmente indicar que era um filósofo ambulante desses que se paran a cada passo para expor as suas ideias.   Porque, segundo um trabalho inédito do meu pai putativo, a classe dos peripatéticos abarca tres ordems claramente diferênciadas:   1.   Os dinâmicos, como Aristóteles, que pensam e expresam-se em plena marcha.   2.   Os estáctico-dinâmicos, como Sócrates, que concíbem na inmobilidade, mas necessitam o movimento para expressar-se.   3.   Os dinâmico-estácticos, como D. Eremita, que lucubram em marcha, mas debem deter-se para descargar os seus  pensamentos.   Meu tio era, pois, um pensador – non um disertador . peripatético.   As ideias ocurriam-se-lhe caminhando;   mas iva-as soltando a chorrinhos nas pausas do caminho, como esses comboios que deixam merdadoria em cada estacion do traxecto.   Obeso e sudoroso, aquela tarde do fim do verán,, D. Eremita assemelhava-se,  verdadeiramente á máquina de um comboio de carga, de tal modo resolhava e acezaba.   De  volta a casa, as estacions foron numerosas, porque o meu tio concebía e dava á luz unha ideia cada dez passos.   (Poderia intentar-se unha classificacion deste ordem dos peripatéticos, segundo o tempo que, á marcha normal, necessitam para cada cogitacion.   Os pensadores de “tres passos”, isto é, os que cada dous metros, mais ou menos, se detenhem para explicar algo ó seu interlocutor, son unha calamidade nas cidades, porque obstruiem a circulacion nos passeios.   Abundam entre os artistas líricos e houbo um tempo em que floreciam na rua Paraná, á volta do Politeama.   Os pensadores de “tres passos” – non os há de menos – , pois cada passo corresponde, verossímilmente, a um dos termos do siloxismo –  os pensadores de “tres passos”, repito, apressentam um rasgo característico: para compensar a diferença do seu “tempo” con o do seu interlocutor, ponhense-lhe diante e agarram-lhe de um boton do chaleco.)   A minha tia dona Trânsito pertencia, em câmbio, á categoria dos pensadores dinâmicos.   Era realista, como Aristóteles.   (-Non me fales desse individuo – dixo-me certa vez que eu lhe citei a Platon -, que inventou a forma de facer perder o tempo ás muchachas.)   E circulava velozmente pela casa repartindo ordems e amonestacions, que surxiam como ásperos corolários de unha  continua disertacion sobre a conxénita estúpidez da metade do xénero humano.   Mas emquanto se detinha, era como um senador que cessa no seu mandato:   perdia a eloquência e as ideias abandonavam-na.

 ARTURO CANCELA