Esta é unha receita, que non costuma figurar nos melhores manuais das mil e unha maneiras de cozinhar este peixe salgado, tan fortemente apreciado por todos nós.
O método consiste em cozer conxuntamente, unha posta de bacalhau, e unhas batatas. Quando os tuberculos estan prontos, pendurase diante la lampara que alumia o comedor, a posta do peixe, de maneira que a sombra cáia xusto dentro do prato. Enton chegou a hora de regar tudo com um chorro de aceite, para ir molhando parsimoniosamente o pan e comendo as batatas, saboreando lentamente, sem presas, este manxar espiritual, liberado de toda matéria poluta, que nos prende a este baixo mundo, e nos eleva qualitativamente a categoria de matéria-subtil, a ánima.
Escusado é afirmar, que só paladares dotados de um mínimo de intelixencia, seran capaces de degustar este fruto da imaxinacion mais febril.
Mas como a realidade, sempre supera a fantasia, no pior dos sentidos, vou narrar aquí unha historia verdadeira, que sucedeu na nossa casa de Lisboa. A minha avó alugou um quarto a um casal de labradores do interior do país, que desertara da sua terra nái, para vir emgrossar um exercito de man de obra miserábel, tan necesária para alimentar o dessarrolhismo moderno.
Estes pobres aldeans, utilizaban unha moderna variante do “Bacalhau á Sombra”, que consistia em cozer repetidas veces a mesma posta de bacalhau, e comer somente as batatas, para que desta maneira o gosto do peixe fora adobando as sucessivas camadas.
A esperanza d’um futuro melhor, foi sacrificada a vida de tanta xente humilde, que perdeu as suas raízes, só por acreditar cegamente no progresso.
Léria Cultural